segunda-feira, 7 de junho de 2010

Exercício Kwanza 2010

Bruno Fernando e João Amadeu dois jovens que asseguraram o espaço áereo

Fotografia: Rogério Tuti, JA

A segurança aérea, durante o Exercício Kwanza 2010, que terminou sábado, esteve garantida por dois aviões de caça, os chamados "Tucanos", pilotados por dois jovens angolanos, acompanhados na missão por pilotos mais antigos da Força Aérea Nacional.
Os dois jovens têm muito em comum. Em função disso, eram chamados "gémeos".
Bruno Fernando Pacheco Evaristo "Bruce" e João Amadeu Pinda têm, ambos, 33 anos. Estudaram pilotagem em Angola, no Lobito, e ostentam a patente de tenente.
"Bruce" nasceu na cidade do Lubango e Amadeu cresceu nessa cidade, embora tenha nascido no província do Cunene. Bruce é mais extrovertido que Amadeu.
Enquanto criança, Bruce quis ser piloto. A sua vocação pela aviação levou-o, ainda em tenra idade, a fazer um avião de lata. Na família ninguém era piloto. Inspirou-se nos amigos pilotos. A decisão em abraçar esta profissão foi contrariada pela família.
"A família achava que era uma profissão perigosa e eu podia perder a vida a qualquer momento", conta, acrescentado que na altura em que entrou para a aviação, no tempo da guerra, morriam muitos pilotos. A mãe foi a única pessoa que o apoiou, porque descobriu que era a sua vocação.
Em declarações ao Jornal de Angola, afirmou que o medo da família aumentou depois de ter começado a fazer voos "O pessoal preocupava-se e sempre que ouvisse um acidente aéreo, ligavam-me para saber como estava. Hoje encaro isso com normalidade", disse.
A experiência de Bruce não difere muito da de Amadeu. Este inspirou-se num tio, engenheiro de caças intersectores. Os pais sempre incentivaram-no a seguir a profissão que desejou. A cidade do Lubango, onde passou a sua infância, influenciou-o fortemente, por lá existir uma escola de aviação.
"Os meus pais incentivaram-me sempre. Eu venho de uma família humilde e este curso se fosse fora da força aérea seria muito caro para mim. Tive a sorte de candidatar-me ao curso e os meus pais sempre me apoiaram e cá estou, sou piloto", disse.
A experiência de Bruce e Amadeu, no primeiro dia de voo, foi a mesma. Em entrevistas separadas, os dois afirmaram que depois das aulas teóricas, no primeiro voo que fizeram com os instrutores não entenderam nada. Ficaram com a ideia de que essa não era a sua vocação.
"O meu primeiro voo na Catumbela foi num jacto. A primeira vez é emocionante, mesmo com o instrutor eu não entendi nada durante o voo. Tal como dizemos na linguagem dos pilotos, o avião estava a pensar mais do que eu. O avião estava a frente e eu estava atrasado", disse Bruce.
Depois do voo, Bruce não se desmoralizou. Foi um voo de apresentação e com acrobacias para sentir como é que o organismo iria reagir, e isto iria definir se continuaria ou não. O apoio e o incentivo dos instrutores tiraram-no o medo.
"No primeiro dia é muito complicado, a pessoa chega à conclusão de que não nasceu para aquilo. Depois é a velocidade do avião. O indivíduo sente-se um pouco desenquadrado, mas com o esforço dos instrutores e a dedicação própria, comecei a enquadrar-me", disse.
Amadeu tem um filho e Bruce dois. Ambos concordam que os pais não devem influenciar os filhos a seguirem a profissão dos progenitores, mas deixá-los escolher a carreira de acordo com as suas opções.
Bruce, que tem dois filhos, disse que a menina é mais curiosa que o rapaz. "Às vezes pede-me um helicóptero, mas acho que aquilo é apenas um comportamento de infância, talvez mais tarde venha a mudar ", referiu.
"Como pai considero que se deve incentivar os filhos naquilo que querem fazer. Se um deles quiser ser piloto vou incentivá-lo e se escolher outra profissão também vou dar a maior força", disse o piloto Amadeu.
Na relação com a esposa, os dois pilotos defendem a mesma posição. Amadeu e Bruce consideram que a mulher de um piloto deve ser amiga, conselheira e compreensível, tendo em conta a natureza do trabalho que os pilotos fazem.
"Não podemos fazer voos stressados, tem de ser uma mulher que entenda os nossos problemas", disse Amadeu.
Bruce disse que existe um manual para esposa do piloto, onde vem descrito o perfil que deve ter.
"É importante que a mulher compreenda que é uma profissão muito exigente, tanto do ponto de vista mental como físico. Tenho de ter descanso, uma alimentação que se coadune com as exigências de um voo e evitar discussões", disse Bruce.
Durante o Exercício Kwanza 2010, os aviões de caça, denominados Tucanos, de fabrico brasileiro, tiveram a missão de reconhecer os locais em que as colunas militares iriam passar e localizar as áreas em que estavam instaladas as zonas de conflito. Bruce e Amadeu tiveram também a missão de proteger os helicópteros de resgate, busca, e distribuição de alimentos nas zonas de conflito.
"Durante os dias de patrulhamento tivemos a missão de localizar os pontos e as coordenadas onde se localizavam as colunas militares, as bases e os centros de deslocados da República Democrática de Áqua. Entregamos esta informação aos helicópteros e eles conseguiram encontrar os pontos sinalizados", disse Bruce.
Quanto ao perfil que um piloto deve ter, os dois jovens sublinharam que é fundamental o gosto pela profissão, dedicação e uma boa condição física.
Bruce é também instrutor. Nesta qualidade, sublinhou que a Força Aérea Nacional precisa de mais pilotos. Os candidatos a pilotagem são poucos e os que passam são em número reduzido, devido às exigências da área.


2 comentários:

  1. "Lasenhora"8 de junho de 2010 05:17

    Um post diferente e bonito. Um bem haja a estes jovens k irão assegurar um amanhã melhor. Será k aqui não se ira falar de futebol? nem se for para nos dizer como aumento o fluxo de voos em SA!!!!

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  2. como me candidato a uma vaga existent? ilidiodasilva@hotmail.com

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